Recentemente, resolvi experimentar o giz de cera para criar uma ilustração de uma abóbora de Halloween. Fiz o desenho em uma folha de papel sulfite comum, utilizando alguns materiais que já tinha em casa. Gostei tanto do resultado que surgiu uma nova ideia: fazer outra pintura desde o início, registrando cada etapa do processo para compartilhar com vocês aqui na Escola de Artes Online.
Nesta atividade, vamos explorar o desenho de uma abóbora estilizada, a construção de uma expressão facial, a escolha das cores e as possibilidades de textura que o giz de cera oferece. Também vamos conversar sobre contraste, camadas de cor e sombreamento.
Uma das coisas que mais gosto nessa experiência é perceber como podemos produzir algo interessante com materiais simples. Não precisamos esperar ter um estojo de materiais profissionais ou um papel especial para começar a experimentar. Podemos aprender muito trabalhando com aquilo que temos à disposição.
Prepare seus materiais e venha desenhar comigo!
Materiais utilizados
Para realizar esta atividade, utilizei materiais simples, que podem ser encontrados facilmente em casa ou em papelarias.
- Uma folha de papel sulfite A4, com gramatura de 75 g/m².
- Gizes de cera em diferentes cores.
- Um lápis de cor preto para construir os contornos e reforçar os detalhes.
- Uma superfície de apoio que, neste caso, foi uma mesa de MDF laminado.
Os gizes de cera que utilizei eram sobras de materiais que já tinha em casa. Algumas pontas estavam pequenas, mas ainda podiam ser aproveitadas.
Escolhi trabalhar com papel sulfite comum justamente para explorar as possibilidades de um material acessível. É importante saber, porém, que esse papel pode amassar, enrugar ou apresentar limitações quando submetido a várias camadas de giz de cera. Durante a atividade, veremos como essas características também interferem no resultado.
Outro detalhe importante é a superfície de apoio. A mesa de MDF que utilizei possui uma textura perceptível durante a aplicação do material. Essa textura acaba sendo transferida para o desenho, produzindo marcas que fazem parte da aparência final da pintura.

1. O desenho inicial: construindo nossa abóbora
Comecei desenhando o caule e a estrutura principal da abóbora com um lápis de cor preto. Em seguida, construí os gomos que formam o corpo do fruto, procurando variar ligeiramente suas alturas e larguras.
Não me preocupei em fazer todas as linhas perfeitamente regulares. A intenção era criar uma abóbora estilizada, com características próprias, e não reproduzir uma forma geométrica rígida.
Uma boa maneira de começar é observar a estrutura geral do objeto antes de se concentrar nos detalhes. No caso da abóbora, podemos pensar primeiro em uma forma arredondada, dividida em partes que se projetam para a frente e para as laterais.
Depois, desenhei os olhos, o nariz triangular e a boca com dentes pontiagudos. Fiz algumas alterações em relação à primeira pintura, buscando uma expressão diferente para a personagem.
Para completar a composição, acrescentei uma representação da rama da abóbora e uma folha. Esses elementos ajudam a situar a personagem em um ambiente e abrem novas possibilidades para explorar as cores verdes.
Não se preocupe se o primeiro desenho apresentar irregularidades. Elas podem ser ajustadas ao longo do processo, e algumas delas podem até contribuir para a personalidade da ilustração.

2. As primeiras cores: dando vida à abóbora
Com o desenho pronto, chegou a hora de escolher a paleta de cores.
Separei o laranja e dois tons de vermelho para trabalhar no corpo da abóbora. Para a folha, escolhi dois tons de verde. Também separei dois azuis e um marrom, que seriam utilizados no fundo e na região abaixo da figura.
Antes de começar a colorir, vale a pena organizar os materiais e deixar por perto apenas as cores que serão utilizadas. Isso facilita o trabalho e ajuda a visualizar as combinações escolhidas.
Por que escolhi o laranja e o azul?
A escolha das cores não aconteceu apenas por preferência estética. Quis explorar uma relação importante da teoria das cores: o contraste entre cores complementares.
Na roda cromática tradicional utilizada para estudar as cores na pintura, o laranja e o azul ocupam posições opostas. Por isso, são considerados complementares. Quando colocados lado a lado, podem produzir um contraste visual marcante, fazendo com que cada cor se destaque.
Essa relação foi importante para a minha composição. O laranja seria a cor predominante da abóbora, enquanto o azul ajudaria a destacar a personagem em relação ao fundo.
Também escolhi os tons de verde e vermelho para ampliar as possibilidades de contraste e enriquecer a composição. As relações entre essas cores variam conforme o tom utilizado, mas elas oferecem boas oportunidades para experimentar combinações.

Aplicando a cor de base
Comecei a colorir as áreas internas do desenho com camadas leves de giz de cera. A ideia inicial não era conseguir uma cobertura perfeita, mas estabelecer uma base de cor sobre a qual pudesse trabalhar depois.
Essa é uma característica interessante de explorar na pintura com giz de cera: podemos construir a intensidade da cor gradualmente, aplicando novas camadas sobre as anteriores.
Na primeira passagem, algumas áreas ficaram mais claras e outras apresentaram pequenas falhas. Isso não significava que o desenho estava perdido. Eu ainda teria a oportunidade de reforçar a cobertura e ajustar as cores.
Apliquei o laranja no corpo da abóbora, o verde na folha e o marrom na região inferior da composição. Também comecei a estabelecer as primeiras áreas de azul no fundo.
Nesse momento, procurei observar como cada cor se comportava sobre o papel e como a textura da mesa interferia nas marcas deixadas pelo giz.

3. Os detalhes: camadas de cor, sombras e fundo
Com a primeira camada aplicada, comecei a reforçar as cores e a trabalhar os detalhes da ilustração.
Reforçando as cores com novas camadas
Uma das coisas que aprendi ao experimentar o giz de cera e o lápis de cor é que nem sempre conseguimos o resultado desejado em uma única aplicação. Por isso, voltei a trabalhar com o laranja, procurando cobrir melhor as áreas que haviam ficado claras. Em alguns pontos, mudei a direção dos movimentos para melhorar a cobertura. Essa foi uma solução que experimentei durante a atividade, e não uma regra que precise ser seguida em todos os desenhos.
Também percebi que a pressão aplicada faz diferença. Quando pressionava o giz com muita força para tentar preencher uma área rapidamente, algumas marcas ficavam mais evidentes do que eu gostaria. Por isso, vale experimentar movimentos mais leves e construir a cor aos poucos. Cada material reage de uma maneira, e observar esse comportamento faz parte do aprendizado.
Outra característica que notei foi a diferença de cobertura entre os gizes. Algumas cores preencheram melhor o papel do que outras, mesmo sendo materiais escolares simples. A qualidade do material pode influenciar o resultado, mas isso não significa que seja necessário começar investindo em produtos caros.
Explorando as sombras
Depois de reforçar as cores principais, comecei a trabalhar as sombras. Utilizei tons mais escuros de vermelho para aprofundar algumas regiões da abóbora e intensificar o laranja. Na folha, acrescentei verde mais escuro para sugerir áreas de sombra. No fundo, combinei azul e marrom, principalmente na região inferior da composição. A intenção era criar uma transição visual entre as cores e sugerir uma superfície sobre a qual a abóbora estivesse apoiada. Em alguns pontos, acrescentei preto para reforçar as sombras e dar mais profundidade à cena.
O sombreamento exige observação e experimentação. Não consegui prever todas as marcas que surgiriam, e algumas escolhas precisaram ser ajustadas enquanto eu trabalhava. Foi justamente essa observação que me ajudou a compreender melhor o comportamento dos materiais.
Aproveitando a textura do giz de cera
Durante a pintura, percebi que as marcas do giz permaneciam visíveis mesmo depois da aplicação de novas camadas. Em algumas áreas, a textura da superfície de apoio também interferiu no resultado. Em vez de tentar eliminar todas essas marcas, decidi aproveitar parte delas como característica visual da obra.
A textura pode contribuir para a expressividade de uma ilustração. Nem sempre precisamos buscar uma cobertura completamente uniforme ou uma aparência lisa. Dependendo da proposta artística, as marcas do material podem enriquecer o desenho.
Também vale lembrar que diferentes superfícies produzem resultados distintos. Em uma próxima experiência, quero testar um papel de gramatura maior e observar como ele se comporta em comparação com o sulfite comum.

Reforçando os contornos
Na etapa final, voltei aos contornos pretos para definir melhor os limites das formas e destacar os olhos, o nariz, a boca e os gomos da abóbora. Essa escolha tem relação com a minha experiência com ilustração e histórias em quadrinhos, universo no qual os contornos escuros são frequentemente utilizados para separar as formas e reforçar a leitura dos personagens.
Ao aplicar o preto sobre as áreas já coloridas, percebi que a intensidade das marcas variava conforme a região. Onde havia mais camadas de cor, o resultado foi diferente de onde o papel ainda estava mais aparente.
Em alguns trechos, precisei suavizar a aplicação para evitar marcas excessivamente fortes. Foi mais uma oportunidade de observar como as cores e os materiais interagem entre si. O resultado não ficou exatamente como eu havia imaginado em todos os detalhes, mas essas diferenças também fazem parte do processo criativo.
4. O resultado final: nossa abóbora de Halloween
Depois de trabalhar as cores, as sombras, o fundo e os contornos, cheguei ao resultado final da segunda abóbora.
Ao comparar as duas pinturas, percebi que consegui reproduzir boa parte do efeito de cor e contraste que havia gostado na primeira versão, embora as duas tenham características próprias.
A primeira ficou um pouco mais viva em algumas áreas. A segunda me permitiu experimentar novas soluções, observar o comportamento do material e identificar aspectos que quero explorar melhor nas próximas atividades.
Também percebi que poderia ter feito algumas escolhas diferentes, como experimentar outros tons de marrom em determinadas regiões ou utilizar um papel mais adequado para receber as camadas de giz de cera.
Isso não diminui o valor da experiência. Pelo contrário, observar o resultado, reconhecer o que funcionou e identificar o que pode melhorar são atitudes importantes para quem deseja desenvolver suas habilidades artísticas.

O que podemos aprender com essa experiência?
Esta atividade me fez refletir sobre algumas questões que considero importantes no ensino de Artes Visuais.
A primeira é que podemos começar a produzir arte com materiais simples. Não precisamos esperar ter todos os recursos que gostaríamos de possuir para experimentar, desenhar e pintar.
A segunda é que a arte envolve um processo de descoberta. Nem sempre sabemos antecipadamente como uma técnica vai funcionar ou qual será o resultado de determinada escolha. Muitas vezes, aprendemos justamente ao experimentar, observar e tentar novamente.
Também é importante compreender que o desenho não precisa apresentar um traço perfeitamente regular para ter personalidade. A expressividade, a escolha das cores, a composição e a intenção do artista fazem parte da construção de uma obra.
No meu caso, quis criar uma abóbora com cores vivas, contrastes marcantes e uma atmosfera um pouco sombria, adequada ao tema do Halloween. Os contornos escuros também refletem minha preferência por uma linguagem visual próxima da ilustração e das histórias em quadrinhos.
Cada pessoa pode seguir um caminho diferente. Você pode usar outras cores, criar uma expressão engraçada em vez de assustadora ou transformar a abóbora em um personagem completamente diferente.
O mais importante é experimentar e descobrir as possibilidades do material.
Vamos criar nossa própria abóbora?
Agora é a sua vez! Separe papel, giz de cera e os materiais que tiver disponíveis e experimente criar a sua própria ilustração.
Você pode seguir as etapas deste tutorial ou modificar a proposta para desenvolver uma personagem com características próprias. Observe como as cores se comportam, experimente novas combinações e não tenha medo de testar soluções diferentes.
Se o resultado não ficar exatamente como você imaginou, aproveite a experiência para descobrir o que pode fazer de outra maneira. Você também pode fotografar suas produções e guardá-las para comparar sua evolução ao longo do tempo.
Se quiser acompanhar todo o processo de criação desta abóbora, assista à oficina em vídeo. Nela, compartilho as decisões que tomei durante a pintura, os testes que fiz e as descobertas que surgiram enquanto trabalhava.
A proposta da Escola de Artes Online é justamente essa: criar oportunidades para aprender, experimentar e desenvolver a criatividade por meio da prática artística.
E lembre-se: a arte não precisa esperar pelas condições perfeitas para começar. Pegue seus materiais, coloque suas ideias no papel e venha fazer arte com a gente!
Quer receber nossa newsletter?

